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SPTec Anuncia 5º Investimento
08/06/2005
Por:
Portal Capital de Risco
Brasil
www.capitalderisco.gov.br
Categorias:
Venture Capital
Inspecção Prévia:
O SPTec, fundo de venture capital do qual a FINEP é quotista, anunciou o seu 5º investimento. Após um longo período de negociações, iniciado no segundo semestre de 2003, foi concretizado o negócio com a Brasquip, empresa química que realiza o tratamento de resíduos industriais líquidos. Trata-se de material nocivo ao meio ambiente, normalmente depositado em aterros sanitários, quando não despejado em rios. O valor do investimento, realizado em abril deste ano, não foi revelado.
Artigo:
08-06-2005 -- O SPTec, fundo de venture capital do qual a FINEP é quotista, anunciou o seu 5º investimento. Após um longo período de negociações, iniciado no segundo semestre de 2003, foi concretizado o negócio com a Brasquip, empresa química que realiza o tratamento de resíduos industriais líquidos. Trata-se de material nocivo ao meio ambiente, normalmente depositado em aterros sanitários, quando não despejado em rios. O valor do investimento, realizado em abril deste ano, não foi revelado.
Segundo André Burger, um dos gestores do SPTec, o interesse pela Brasquip se deu principalmente devido a atuação em um mercado ainda pouco explorado, com alto potencial de crescimento. "Aliado a isso, vimos a chance de apoiar um projeto importante para a preservação do meio ambiente", disse.
Criado em 2002, o SPTec é um fundo com patrimônio de R$ 24 milhões, que possui prazo de duração de 10 anos, prorrogável por até mais dois. Entre os quotistas está a Incubadora de Fundos Inovar da FINEP, que investe também no Stratus VC, GP Tecnologia e Rio Bravo Investech II, todos voltados para empreendimentos inovadores. Com base no fluxo de propostas de investimento em fundos em análise hoje na FINEP, Patrícia Freitas, chefe do Departamento de Investimentos da Financiadora, estima que entre 80 e 100 empresas inovadoras serão beneficiadas nos próximos três anos. No total, a FINEP já comprometeu cerca de R$ 80 milhões em fundos de venture capital.
Vicente Nipper, sócio da Brasquip, conta que conheceu o SPTec por meio de conversas informais com amigos. "Decidimos, então, entrar em contato com o fundo, para entendermos melhor tudo o que envolvia o processo de investimento", explica. Abertas as negociações, a empresa, que já se preocupava em ter um bom plano de negócios, continuou a aprimorar o modelo de gestão. Uma das iniciativas foi gerar balancetes mensais para acompanhar o desempenho financeiro.
O acordo de acionistas foi o ponto mais difícil das negociações. "Cada cláusula foi minuciosamente discutida", afirma Burger. Também houve demora em se chegar a um consenso sobre o valor da empresa e o risco envolvido na operação. Para Nipper, o longo tempo de negociações teve um lado positivo. "Durante esses quase dois anos, a empresa amadureceu e tivemos a chance de conhecer melhor os gestores", disse.
A Brasquip espera crescer 30% ao ano pelo menos até 2008. E uma das estratégias para atingir essa meta é conquistar o mercado da região Sul, responsável por 40% dos resíduos de emulsão de óleo solúvel do Brasil. A previsão é que, daqui a 8 meses, já haja uma fábrica de tratamento da empresa funcionando na região.
Com o apoio dos gestores do SPTec, a Brasquip acredita que há mais chances de conquistar esse mercado, principalmente devido à rede de relacionamento que eles possuem na região. "Isso prova que as vantagens do investimento vão muito além dos recursos financeiros. Apenas dinheiro, eu conseguiria no banco. Com o SPTec, eu consegui dinheiro de qualidade", ressaltou Nipper.
A Brasquip é especializada em tratar emulsões oleosas usadas em processos da indústria eletro-mecânica, uma espécie de mistura de água e óleo usada nas máquinas. O que a unidade de tratamento faz é quebrar quimicamente a mistura para separar a água do concentrado oleoso. Nos últimos anos, fatores como a conscientização de empresas em relação a responsabilidade e riscos ambientais, fiscalização mais intensiva por parte dos órgãos públicos, imprensa e sociedade civil, além de exigências das normas de certificação de qualidade (ISO 14.000 e outras), têm feito com que cada vez mais indústrias tentem encontrar alternativas para evitar punições decorrentes de falhas no processamento de resíduos nocivos.
O recente investimento será usado pela Brasquip para adequar seus processos de tratamento à futuras exigências da legislação. O passo seguinte será reaproveitar os resíduos já tratados na produção própria de graxa ou outros tipos de óleos básicos, ao invés de vendê-los como faz atualmente. O projeto deve estar concluído em um ano.
Também está prevista a produção de água de reúso. Devido ao baixo valor comercial, a água seria doada à prefeituras para ser utilizada na limpeza das cidades. "A água de reúso é muito barata. Por isso, o preço do transporte inviabilizaria a comercialização. Portanto, esse projeto é visto como uma forma de ajudarmos a sociedade a cuidar do meio ambiente", diz Nipper.